PF investiga Jair Renan, filho ’04’ de Bolsonaro

A Polícia Federal abriu ontem um inquérito para apurar negócios envolvendo o filho mais novo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Jair Renan Bolsonaro. A Procuradoria da República no Distrito Federal afirmou que a investigação é derivada de um procedimento preliminar do Ministério Público Federal que mira suspeitas de crimes de tráfico de influência e de lavagem de dinheiro relacionados a um grupo empresarial do setor de mineração e ao filho do presidente da República.

A abertura do inquérito – que está na Superintendência da PF no Distrito Federal – foi revelada pelo jornal Folha de S Paulo. A suspeita é de que Jair Renan tenha atuado para “abrir portas” em favor de empresas com interesses no governo federal.

Segundo reportagem do jornal O Globo, Jair Renan teria recebido um carro elétrico de representantes da Gramazini Granitos e Mármores Thomazini – uma das empresas do conglomerado de mineração – avaliado em R$ 90 mil. Um mês após a doação, em outubro do ano passado, a empresa conseguiu agendar um encontro com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Jair Renan participou da reunião.

Ainda de acordo com a reportagem, desde setembro de 2019, a empresa recebe um benefício fiscal, concedido pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), de 75% no pagamento do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), válido até 2028. Um levantamento no Diário Oficial da União mostrou também que, só em 2021, o grupo, composto por 17 mineradoras, recebeu 15 autorizações da Agência Nacional de Mineração (ANM) para prospectar novas áreas.

A proximidade do filho mais novo de Bolsonaro com a Gramazini e outras companhias despertou a atenção do Ministério Público Federal, que instaurou um procedimento para apurar “possíveis tráfico de influência e lavagem de dinheiro”.

Em dezembro do ano passado, o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) já havia entrado com uma representação na Procuradoria-Geral da República solicitando que Jair Renan fosse investigado por eventual crime de tráfico de influência e lavagem de dinheiro. O pedido teve como base reportagens segundo as quais o filho do presidente levou um empresário do Espírito Santo para uma reunião no Ministério do Desenvolvimento Regional, intermediada por um assessor do Planalto.

Jair Renan também teria “intermediado” no governo uma redução no Imposto sobre Produtos Industrializado (IPI) do setor de videogames. “Gamer”, ele participou, em agosto do ano passado, de uma reunião com o secretário de Cultura, Mário Frias, para tratar do “futuro dos e-Sports”. A isenção do IPI para o setor deve resultar numa renúncia fiscal de mais de R$ 80 milhões até 2022.

Defesa

O advogado Frederick Wassef, que representa Jair Renan, negou irregularidades. “Vou requerer cópia na íntegra desse processo. Não tem nenhum carro, ele nem atuou para abrir porta para ninguém. Jair Renan nem sabe da existência desse carro. Ele não tem carro nenhum, inclusive. É mais um ato para atingir o presidente da República”, disse o advogado ao Estadão. Nenhum representante da Gramazini Granitos e Mármores Thomazini respondeu ao contato da reportagem.

 

Por redação Busão Curitiba