Disque Denúncia recebeu mais de 50 mil ligações em 2020

Ainda que a maioria da população silencie, há quem ultrapasse as barreiras do medo e não se cala: o programa Disque Denúncia 181, da Secretaria de Estado da Segurança Pública, recebeu mais de 50,6 mil denúncias anônimas em 2020 em todo o Estado. As informações são da Agência de Notícias do Paraná.

Os dados, divulgados pela Secretaria nesta quinta-feira (04), apontam que o resultado é o maior número de denúncias recebidas pelo programa, em um ano, desde a sua criação, em 2003.

As informações recebidas pelo programa em 2020 também significam um aumento de 38,9% nas denúncias no comparativo com o ano de 2019, quando foram 36.456. Das 50.659 situações informadas ao Disque Denúncia 181 durante o ano de 2020, os crimes mais denunciados foram tráfico de drogas (20.326 denúncias), crimes ambientais (7.817 denúncias) e maus-tratos a animais domésticos (7.076 denúncias). Segundo a análise do 181, casos de violência contra crianças (1.695 denúncias), contra idosos (1.497 denúncias) e contra a mulher (1.415 denúncias) também foram crimes que foram denunciados com mais frequência.

O secretário estadual da Segurança Pública, Romulo Marinho Soares, destacou que a contribuição do cidadão com as denúncias sobre práticas criminosas alavancou as apreensões de drogas e armas, além das prisões. “O trabalho do 181 está inserido num contexto de fornecimento de informações valiosas para as instituições de segurança pública, por isso a Secretaria tem buscado meios para fortalecer esse trabalho e incentivado a população a utilizar cada vez mais esse canal de denúncias para nos auxiliar no combate ao crime organizado”, disse.

De acordo com o coordenador do Disque Denúncia 181, capitão André Henrique Soares, o trabalho do 181 é uma importante ferramenta de planejamento para as polícias. “As informações privilegiadas que a população repassa anonimamente às forças policiais causam um impacto muito grande, pois recebemos detalhes da atividade criminosa que são essenciais para que as ações sejam mais eficientes”, afirmou.

Com a pandemia da Covid-19 e a publicação de decretos governamentais com medidas a serem cumpridas pelos cidadãos para conter a propagação da doença, o programa passou a receber informações anônimas de desrespeito às regras de controle do contágio da doença. Nessa categoria, foram recebidas 1.581 denúncias no período da doença em 2020.

Segundo a coordenação do Disque Denúncia 181, as infrações relacionadas à pandemia também contribuíram para o aumento de denúncias no ano passado. “A demanda de informações sobre a pandemia da Covid-19 é grande e recebemos todo o tipo de comunicado, incluindo pessoas que não usam máscara em ambiente de trabalho, falta de álcool em gel nos estabelecimentos comerciais e até de comercialização de álcool em gel adulterado”, acrescentou o capitão André.

Julho de 2020 foi o mês que mais registrou denúncias anônimas durante o ano: foram 4.864 informações repassadas pela sociedade ao programa. No total, 36,6 mil informações anônimas recebidas pelo 181 em 2020 foram por chamadas de telefone, o que significa 72,2% das denúncias. Pela internet, durante o ano passado, o Disque Denúncia recebeu 14.050 informações, isso aponta que as pessoas ainda preferem a ferramenta tradicional na hora de fazer uma denúncia anônima.

ANONIMATO – As denúncias podem ser feitas pelo telefone 181 e também pelo site (www.denuncia181.pr.gov.br), de forma totalmente anônima. “Essa é a essência do 181. Toda pessoa que liga ou nos procura pela internet jamais terá sua identidade divulgada. Nós não sabemos qual o número da pessoa que nos procura e ninguém vai procurá-lo. O anonimato vai ser sempre garantido e preservado”, ressaltou o coordenador do programa.

Além dos crimes citados, é possível registrar denúncias relacionadas a homicídios, latrocínio, estelionato, contrabando ou descaminho e de crianças desaparecidas. O serviço também recebe informações sobre furto, roubo, crimes de internet ou contra a saúde e de racismo, entre outros.

CAPACITAÇÃO – Os profissionais que atuam pelo 181 recebem um treinamento específico para o atendimento às pessoas. “Fazemos um treinamento que dura em torno de um mês, para que o profissional esteja preparado e demonstre segurança ao cidadão no momento do recebimento da denúncia, principalmente para que a pessoa confie no trabalho e fique à vontade para repassar as informações”, explicou o capitão André.

CAMPANHAS – Durante o ano de 2020, a Secretaria da Segurança Pública lançou campanhas educativas sobre a importância das denúncias anônimas. Séries audiovisuais, apresentadas nas mídias digitais da Sesp, abordaram dados estatísticos e situações como o tráfico de drogas e a violência infantil, com o objetivo de sensibilizar e incentivar a sociedade para que denunciem os crimes anonimamente.

“As campanhas são muito importantes porque passamos a focar em determinados assuntos, chamamos a atenção da sociedade para esses fatos, e partir disso a conscientização passa a ser intensa e a valer de fato. Com isso, as pessoas passam a refletir sobre a importância da denúncia e conversas com outras pessoas sobre isso. Então, percebemos que todo o trabalho de campanha surte um efeito muito positivo nas denúncias anônimas”, acrescentou o capitão.

 

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Pazuello visita UPA de Cascavel, cidade que vive colapso no sistema de saúde

O ministro da Saúde Eduardo Pazuello visita Cascavel, no oeste do Paraná, na tarde desta quinta-feira (4). A comitiva chegou por volta das 14h ao aeroporto da cidade.

Conforme a prefeitura, o prefeito Leonaldo Paranhos (PSC) levou o ministro a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Brasília, ao Centro de Vacinação Covid-19 e à obra do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste do Paraná (Cisop).

Durante a visita, o ministro defendeu o “atendimento primário” para não sobrecarregar leitos de média e alta complexidade, sem detalhar que tipo de serviço seria esse.

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Secretário de saúde do Paraná anuncia novos leitos no HUOP e em cidades pequenas do Oeste

O Governo do Estado está ativando 66 leitos exclusivos para o atendimento de pacientes com Covid-19 no Oeste paranaense. O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, esteve em Cascavel nesta quinta-feira (4) e anunciou a implantação de 12 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 10 enfermarias para o Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), além de mais 44 leitos clínicos em cidades pequenas da região: seis no Hospital Jesuítas, em Jesuítas; 12 no Hospital Santa Isabel, em Formosa do Oeste; e 16 no Hospital Santo Antônio, em Guaraniaçu.

O secretário acompanha, ainda nesta quinta, a visita do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a unidades de referência para o atendimento à Covid-19 na cidade, onde a taxa de ocupação das UTIs já chegou há alguns dias em 100%. A região Oeste é uma das mais críticas do Estado, com as UTIs chegando a 98% de ocupação – a média do Estado também é alta e está em 96%.

Na quarta-feira (3), o governo já tinha anunciado a ampliação da estrutura de Covid em Cascavel, com a implantação de 32 leitos, os 22 do HUOP e outras 10 UTIs no Hospital Municipal. “Estamos no limite. Não temos mais tempo de discutir se as medidas restritivas são importantes ou não, elas são fundamentais enquanto não chega a vacinação em massa. Temos limites físicos para ampliar ainda mais o atendimento dos hospitais”, afirmou o secretário.

Em Cascavel, Pazuello visitou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Brasília, o Ambulatório Médico de Especialidades do município e a nova sede do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste do Paraná (Cisop), juntamente com o secretário de Atenção Primária da pasta (SAPS), Raphael Parente, e o secretário de Atenção Especializada (SAES), Luiz Otávio Franco Duarte.

“Estamos em um dos estados que tem a melhor estrutura de saúde do País e confiamos na capacidade de atendimento do Paraná”, afirmou. “Precisamos aumentar a capacidade de entrega de leitos de UTI e de enfermaria, e é isso que o Estado está fazendo, com a abertura de mais de 1,4 mil UTIs no último ano”.

O ministro também acompanha o andamento da vacinação contra a Covid-19 no município e, junto com o secretário Beto Preto, fez a entrega formal de novas doses de imunizantes. Além das 7.360 encaminhadas quarta-feira (03) pelo governo, o Ministério da Saúde disponibilizou um fundo extra com 6 mil conjuntos de vacinação para o município. “Com a estabilidade que devemos alcançar com a fabricação nacional, teremos entregas semanais de vacinas, até para não ter grandes estoques nos municípios”, disse Pazzuello.

 

REFORÇO – O HUOP é administrado pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e foi um dos primeiros a integrar a estrutura de retaguarda para a pandemia no Estado, quase um ano atrás, e conta atualmente com cerca de 50 leitos exclusivos para o atendimento à Covid-19.

“As estruturas do município estão sobrecarregadas. Por isso, mesmo cansados não iríamos nos furtar de ajudar a população”, afirmou o diretor-geral da unidade, Rafael Muniz de Oliveira. “Esses novos leitos são uma ampliação, não estamos trocando leitos de atendimento geral pelos de Covid nem reduzindo o atendimento à doença em outras áreas do hospital”.

 

O reitor da Unioeste, Alexandre Weber, destacou as dificuldades para ampliar a estrutura hospitalar. “Chegamos ao máximo da nossa capacidade. Há um esforço da Secretaria e de quem atua na área da saúde para que as pessoas não fiquem sem assistência, mas há uma limitação de profissionais, que não vão conseguir trabalhar no ritmo atual por muito mais tempo”, salientou.

“Se os trabalhadores da saúde estão fazendo esse sacrifício para tratar da população, é preciso que todos façam sua parte para reduzir as contaminações, façam o isolamento social, usem máscara e higienizem as mãos, não existe outro caminho”, acrescentou Weber.