Vacinados contra a covid-19 no Brasil chegam a 20,8 milhões, 9,8% da população

O governador Carlos Massa Ratinho Junior anunciou nesta terça-feira (6) no Palácio Iguaçu que a campanha de vacinação no Paraná vai até a meia-noite a partir dos próximos dias em alguns municípios, esforço que se soma à campanha de domingo a domingo para agilizar a imunização no Estado. A ideia é acelerar a aplicação das doses que estão disponíveis.

O Plano Estadual de Vacinação contra a Covid-19 começou a ganhar novo corpo com a chegada de mais vacinas e a perspectiva de alcançar mais públicos prioritários num futuro próximo, como pessoas com comorbidades e profissionais da educação. Até a manhã desta terça-feira 1.213.773 pessoas tinham sido imunizadas no Estado com a primeira dose e 266.704 com a segunda dose, segundo o Vacinômetro, o que significa que 11,62% da população geral foi imunizada, acima da média nacional (9,4%).

“A ideia é ir até meia-noite em alguns municípios que precisam desse apoio. Estamos criando condições para auxiliar a acelerar a aplicação. Tem município veloz, mas alguns não conseguem ter essa dinâmica. São 399 realidades diferentes. Por isso precisamos dessa união”, afirmou Ratinho Junior.

Foto Gilson Abreu/AEN

Ele também disse que o Paraná está entre entre os dez estados que vacinam mais rapidamente a população e que há agilidade na distribuição estadual, com apoio de aeronaves e caminhões refrigerados.

“Detectamos que alguns municípios tinham receio de acabar com a aplicação das doses, mas a ideia é que acabe mesmo. Quanto antes imunizarmos as pessoas menores são as chances delas desenvolverem alguma forma grave. Se acabar antes, ótimo. Se os municípios puderem fazer a campanha todos os dias, também é importante”, acrescentou.

O governador frisou que o Paraná formalizou a intenção de compra de 16 milhões de imunizantes e ainda aguarda posicionamentos dos laboratórios. A negociação está sendo feita pelo Consórcio Paraná Saúde. O Governo do Estado também aderiu ao movimento Unidos pela Vacina para facilitar a distribuição de imunizantes e insumos a todos os brasileiros até o final do ano, com objetivo de agregar esforços das iniciativas pública e privada.

Foto: AEN PR

“Desde o ano passado começamos a conversar com diversos laboratórios. Optamos em fazer essa conversa ampla e dinâmica, mas eles estão empenhados em fazer a venda direta para o Ministério da Saúde. Todos estão atendendo o governo federal com a produção que já existe. Há uma disputa global por esses imunizantes”, disse o governador.

BALANÇO 

Ratinho Junior também fez um balanço da vacinação no Paraná. Ele citou que o Estado está à frente de alguns países da Europa em relação à velocidade de imunização. Cerca de 13% da população de 18 anos ou mais recebeu a 1ª dose da vacina, número superior à Alemanha, Holanda, Grécia e Croácia.

Em outro recorte, da população de mais de 80 anos imunizada, o Paraná ultrapassou índice de 85%, à frente de Portugal, Finlândia, Dinamarca e Noruega. Em relação à população de mais de 60 anos, o Estado está na frente de Bélgica e Portugal, por exemplo. Os números foram levantados pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

O governador também disse que o Estado está auxiliando os municípios com insumos, política que começou antes mesmo da vacinação, com a preparação das 1.850 salas e treinamento dos vacinadores. Já foram entregues 11 milhões de agulhas e seringas e outras 34 milhões estão em licitação, com investimento de quase R$ 20 milhões.

Ele também afirmou que já foram adquiridos 21 câmaras para conservação de imunizantes, 23 unidades de ar-condicionado, 24 freezers comuns e quatro contêineres para conservação de vacinas. Ainda estão em licitação mais 110 câmaras de conservação. O investimento ultrapassa R$ 15 milhões e permite ao Estado se antecipar para o momento da chegada de lotes maiores do Ministério da Saúde.

via redação Busão Curitiba

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ministro Marcelo Queiroga defende compra de vacinas pela iniciativa privada

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, disse nesta quinta-feira (8) que a situação pandêmica está longe do fim. “O entendimento que temos aqui na agência, e não é um entendimento dos mais felizes, é que essa situação que atravessamos está longe do seu fim. Não há entre nós a convicção de que a fase pior tenha passado. Nós temos tido uma série de sinalizações de possibilidades ainda mais desafiadoras estão por vir no curto e no médio prazo”.

Ao participar, nesta quinta-feira (8), de audiência pública na Comissão Temporária da Covid-19 no Senado e questionado sobre a possibilidade de vacinas contra covid-19 serem fabricadas em plantas de produção veterinária, Torres disse que Anvisa considera factível, mas serão necessários investimentos.

“De fato alguns investimentos serão necessários, pois há que se fazer determinadas elevações de nível de segurança biológica desses, por assim dizer, laboratórios, dessas áreas de fabricação vacinal – talvez algumas capazes de dominar o ciclo completo, outras não, talvez mais direcionadas à questão do envase –, mas não é, na ótica da Anvisa, algo a ser descartado”, afirmou.

Ainda sobre esse assunto, Torres ressaltou que a Anvisa não vê nenhum sentido em manter os olhos apenas nos próximos minutos, nos próximos dias. “Temos, sim, que olhar para um futuro até mesmo mais distante. Já tomamos providências há algum tempo em relação a isso aqui na Anvisa, inclusive com a criação de um grupo de análise estratégica desse quadro, com visão prospectiva, focando nos próximos anos inclusive”.

Na avaliação de Antônio Barra Torres, toda uma estrutura mundial vai ter que se reorganizar. “Nascerá um novo mundo dessa pandemia. E em setores da economia que, por uma ação fundamentalmente focada no capitalismo, tinham uma justificação, como a terceirização de áreas essenciais de produção em troca de mão de obra mais barata e questão fiscal mais atraente, hoje se dá por comprovado que quem fez essa escolha encontra-se em uma posição de refém diante da oferta de insumos essenciais que vêm do exterior – no caso concreto, basicamente de dois países”.

Fiocruz

Também convidada para a audiência pública, a presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade Lima, disse que no momento em que o Brasil enfrenta dificuldades na importação do IFA (insumo farmacêutico ativo) a fundação, responsável no país pela vacina de Oxford/AstraZeneca, vai assinar, em duas semanas, o acordo de transferência de tecnologia do IFA desse imunizante para que ele seja, enfim, produzido em território nacional.

Segundo Nísia, a Fiocruz trabalha atualmente com duas linhas de produção que permitem a fabricação de 900 mil doses por dia. “Em breve, estaremos trabalhando em uma nova linha de produção, com segundo turno de trabalho, que nos permitirá a produção de 1,2 milhão de doses/dia”, explicou.

Segundo a Fiocruz, a previsão é de que as vacinas produzidas com IFA nacional sejam entregues só a partir de setembro. “Temos IFA garantido para produção até o mês de maio. Mas o embaixador da China disse que estará acompanhando pessoalmente isso”, enfatizou. A China é o país exportador do IFA usado pelo Brasil na produção dos imunizantes.

*Matéria atualizada às 14h12 para acréscimo de informações.

via redação Busão Curitiba

Brasil tem segundo dia com mais de 4 mil mortes por covid-19 em 24 horas

O diretor do Departamento de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores, João Lucas de Almeida, admitiu que há um desafio no curtíssimo prazo para o acesso a vacinas contra a covid-19, ainda que no médio prazo haja a perspectiva de um “suprimento adequado”. Para Almeida, “os poucos países que têm capacidade produtiva de imunizantes têm se voltado para atender os mercados domésticos”, como Índia, Rússia, Estados Unidos e, mais recentemente, China.

“Na China, temos mantido contatos regulares e intensos, tanto com as empresas produtoras mas sobretudo com o governo, para assegurar que os IFAs, insumos farmacêuticos ativos, serão liberados tal qual contratados”, afirmou Almeida na manhã desta quinta-feira (8) durante sessão da Comissão Temporária da Covid-19 no Senado.

“Não temos indicação de que eventuais atrasos que já tenham ocorrido ou eventualmente poderão ocorrer são diferentes da situação que outros países enfrentam, pelo contrário. A nossa indicação é de que a China tem priorizado o Brasil e temos excelentes contatos em todos os níveis de governo para manter fluxo de IFA assegurado”, completou.

Pesquisadores do Instituto Butantan, principal fornecedor de vacinas contra a covid-19 no País até o momento, acenderam o sinal de alerta para a produção de imunizantes depois que houve atraso no lote – equivalente a 5 milhões de doses – previsto para esta sexta-feira (9).

Almeida relatou que o novo chanceler Carlos Alberto Franco França, empossado na terça-feira (6), cobrou maiores esforços com os principais fornecedores para tentar aproveitar o “excesso de vacinas que tenham sido contratadas”.

Quebra de patentes

O chefe da Divisão de Propriedade Intelectual do Ministério das Relações Exteriores, Maximiliano da Cunha Henriques, avalia que a suspensão do direito de propriedade intelectual sobre vacinas contra a covid-19 e a renúncia das patentes farmacêuticas “não é o caminho recomendável nem ajudará nos esforços nacionais para o combate à covid-19”.

“Muito pelo contrário: poderá nos prejudicar na concepção de objetivos e na habilitação futura do Brasil no enfrentamento dos efeitos duradouros da pandemia ou novas epidemias virais”, disse durante a audiência no Senado.

Nesta quarta-feira, 8, estava prevista para ser votada pelo Plenário do Senado proposta que pretende suspender direitos intelectuais sobre a produção de vacinas, porém o texto foi retirado a pedido dos líderes do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), e no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE). O assunto é tema de discussão na Câmara nesta quinta-feira (9).

Segundo Maximiliano, os problemas de acesso a vacinas no País estão “fundamentalmente” relacionados à falta de capacidade produtiva para expandir a oferta mundial e, para resolver a questão, defendeu ser necessária a identificação destes polos fabris. “O aumento da capacidade produtiva, em qualquer lugar do Brasil, deve ser habilitado em toda sua extensão”, afirmou.

“Diante deste quadro, a propriedade intelectual é um fator chave no fornecimento de uma estrutura legal clara e concreta que permite essa colaboração, seja por meio de licenciamentos voluntários, consórcios nacionais ou internacionais, encomendas tecnológicas e modelos de negócios inovadores que proliferam hoje no mundo e também aqui no Brasil”, disse o representante do Itamaraty.

via redação Busão Curitiba