Paraná não pode ser modelo novamente de tarifa alta para pedágio, diz Romanelli

Em audiência pública nesta quarta-feira, 4, com representantes do Ministério da Infraestrutura para debater o novo modelo de pedágio no Paraná, o deputado Luiz Claudio Romanelli (PSB) defendeu a licitação pelo menor preço, a eliminação do teto no desconto da tarifas e a redução significativa do degrau tarifário para as pistas duplicadas.

“São os pontos mais vulneráveis que, na minha avaliação, podem fazer com que as tarifas de pedágio do Paraná continuem altas. O entendimento majoritário na Casa é que queremos uma licitação utilizando critério exclusivo da menor tarifa”, disse Romanelli.

A apresentação foi feita aos deputados estaduais pelo secretário Nacional de Transportes Terrestres do Ministério da Infraestrutura, Marcelo Costa Vieira; pelo diretor de Planejamento da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Rafael Benini e pela secretária de Fomento, Planejamento e Parcerias do Ministério da Infraestrutura, Natália Marcassa.

INACEITÁVEL – Além de defender a licitação pelo menor preço, Romanelli criticou a aplicação de um degrau tarifário que aumenta em 40% as tarifas nas pistas duplicadas. De acordo com o modelo apresentado, os degraus serão aplicados após a conclusão das obras, no sétimo ano da concessão

“O degrau de 40 % para a rodovia depois de duplicada é excessivamente elevado. Diria que é inaceitável. Isso vai onerar a tarifa por mais 23 anos. Até entendo que possa haver um degrau, mas tem que ser bem menor do que 40%”, disse.

Romanelli também questionou a imposição de um teto máximo para os descontos das tarifas na licitação. Pela proposta do governo federal, a empresa interessada só poderá dar um desconto máximo de 15% a 17%. A lei de licitações permite um desconto de até 70 %.

O deputado solicitou ainda a revisão da TIR (Taxa Interna de Retorno), que é o lucro das concessionárias, e das previsões de receita e investimentos. Pelo estudo do Ministério, em 30 anos serão investidos R$ 42 bilhões nas rodovias, enquanto que a receita chegará a R$ 156 bilhões. “São questões que temos que fazer os ajustes, independente da modalidade licitatória”, salientou

MODELO – O deputado Romanelli disse ainda estar preocupado com a implantação no Paraná de um modelo que nunca foi aplicado no país. Romanelli lembrou que em 1995 o sistema de pedágio foi vendido como uma solução para o Estado e acabou se tornando num entrave para a economia paranaense.

“Tenho receio de o Paraná acabar sendo um grande laboratório. É um modelo que nunca foi aplicado. Uma completa inovação, como foi em 1995, que gerou um sistema com tarifas altas e poucas obras”, afirmou.

“Queremos um preço final bom para o transporte, para o cidadão. Queremos pagar um pedágio com a tarifa justa. Temos que ampliar as discussões para melhorar esse modelo. Deixar um bom modelo para as próximas gerações”, frisou.

O Ministério da Infraestrutura planeja conceder 3.327 quilômetros de rodovias estaduais e federais divididos em seis lotes com 42 praças de pedágio, 15 praças a mais do que atualmente.

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Abaixo-assinado de pais de alunos pede a volta às aulas presenciais em escolas do PR

Com a adoção de medidas mais pesadas de enfrentamento à propagação do novo coronavírus, as aulas presenciais nas escolas do Paraná estão proibidas de ocorrer, por determinação do decreto estadual anunciado na última sexta-feira (26). A ação deixou muitos pais e responsáveis pelas crianças ou adolescentes revoltados e um abaixo-assinado, que já atingiu mais de 21 mil pessoas, foi feito para cobrar respostas do governo do Paraná quanto à uma data de retorno das aulas. Vale reforçar que a educação é atividade essencial no estado

A petição pública foi criada no último fim de semana para cobrar das autoridades uma solução rápida para a questão. O decreto estadual é válido até o dia 8 de março e até lá, apenas alguns serviços que são considerados indispensáveis para a população podem funcionar, como mercados, farmácias, postos de gasolina, ótica e pet shops. O questionamento que os pais se fazem, é que por ser atividade essencial, as escolas teriam que estar abertas para atender os alunos.

 

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Secretário de saúde do Paraná anuncia novos leitos no HUOP e em cidades pequenas do Oeste

O Governo do Estado está ativando 66 leitos exclusivos para o atendimento de pacientes com Covid-19 no Oeste paranaense. O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, esteve em Cascavel nesta quinta-feira (4) e anunciou a implantação de 12 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 10 enfermarias para o Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP), além de mais 44 leitos clínicos em cidades pequenas da região: seis no Hospital Jesuítas, em Jesuítas; 12 no Hospital Santa Isabel, em Formosa do Oeste; e 16 no Hospital Santo Antônio, em Guaraniaçu.

O secretário acompanha, ainda nesta quinta, a visita do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a unidades de referência para o atendimento à Covid-19 na cidade, onde a taxa de ocupação das UTIs já chegou há alguns dias em 100%. A região Oeste é uma das mais críticas do Estado, com as UTIs chegando a 98% de ocupação – a média do Estado também é alta e está em 96%.

Na quarta-feira (3), o governo já tinha anunciado a ampliação da estrutura de Covid em Cascavel, com a implantação de 32 leitos, os 22 do HUOP e outras 10 UTIs no Hospital Municipal. “Estamos no limite. Não temos mais tempo de discutir se as medidas restritivas são importantes ou não, elas são fundamentais enquanto não chega a vacinação em massa. Temos limites físicos para ampliar ainda mais o atendimento dos hospitais”, afirmou o secretário.

Em Cascavel, Pazuello visitou a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Brasília, o Ambulatório Médico de Especialidades do município e a nova sede do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste do Paraná (Cisop), juntamente com o secretário de Atenção Primária da pasta (SAPS), Raphael Parente, e o secretário de Atenção Especializada (SAES), Luiz Otávio Franco Duarte.

“Estamos em um dos estados que tem a melhor estrutura de saúde do País e confiamos na capacidade de atendimento do Paraná”, afirmou. “Precisamos aumentar a capacidade de entrega de leitos de UTI e de enfermaria, e é isso que o Estado está fazendo, com a abertura de mais de 1,4 mil UTIs no último ano”.

O ministro também acompanha o andamento da vacinação contra a Covid-19 no município e, junto com o secretário Beto Preto, fez a entrega formal de novas doses de imunizantes. Além das 7.360 encaminhadas quarta-feira (03) pelo governo, o Ministério da Saúde disponibilizou um fundo extra com 6 mil conjuntos de vacinação para o município. “Com a estabilidade que devemos alcançar com a fabricação nacional, teremos entregas semanais de vacinas, até para não ter grandes estoques nos municípios”, disse Pazzuello.

 

REFORÇO – O HUOP é administrado pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e foi um dos primeiros a integrar a estrutura de retaguarda para a pandemia no Estado, quase um ano atrás, e conta atualmente com cerca de 50 leitos exclusivos para o atendimento à Covid-19.

“As estruturas do município estão sobrecarregadas. Por isso, mesmo cansados não iríamos nos furtar de ajudar a população”, afirmou o diretor-geral da unidade, Rafael Muniz de Oliveira. “Esses novos leitos são uma ampliação, não estamos trocando leitos de atendimento geral pelos de Covid nem reduzindo o atendimento à doença em outras áreas do hospital”.

 

O reitor da Unioeste, Alexandre Weber, destacou as dificuldades para ampliar a estrutura hospitalar. “Chegamos ao máximo da nossa capacidade. Há um esforço da Secretaria e de quem atua na área da saúde para que as pessoas não fiquem sem assistência, mas há uma limitação de profissionais, que não vão conseguir trabalhar no ritmo atual por muito mais tempo”, salientou.

“Se os trabalhadores da saúde estão fazendo esse sacrifício para tratar da população, é preciso que todos façam sua parte para reduzir as contaminações, façam o isolamento social, usem máscara e higienizem as mãos, não existe outro caminho”, acrescentou Weber.